Vale apena lê
SE NAO FOSSEM OS RIVAIS ....NADA VALERIA A PENA
Amigo botafoguense postou isso:
[ O meu Flamengo]
Eu gosto muito de futebol. Mais que devia. Já foi pior, mas ainda hj, velho, penso diariamente em futebol. Fico imaginando como será quando os Moreira Sales ou algum Russo milionário assumir o Botafogo. Sim, vc sabe que eu sou Fogão, muito Fogão.
Ser muito Fogão automaticamente me faz ser rival de Vasco, Fla e Flu. Contra eles proferi as minhas mais sinistras mandingas, minha reserva grand cru de xingamentos e todos, mas todos o meus pensamentos de azar eterno.
Eu amo odiar o Mengão, mas o respeito como rival e, logo, co-autor desta minha paixão. Todos nós temos aquele jogo transformador. Aquele que nos vicia pra sempre, certo? O meu faz tempo. Foi lá em 1989.
Cursava-se a charmosa Taça Guanabara e, com 12 anos, me tornara sócio do meu pai nas arquibancadas a partir daquele ano. Afinal, já seria capaz de fugir de alguma organizada pelos anéis do maior do mundo. Acho que meu pai previu que sairíamos da fila este ano e então me levou a todos os jogos.
Eles tinham Zico e Bebeto...nós, Criciúma e Vitor. O jogo começa e rapidamente o Galinho, de falta, abre o placar. O Maraca vem abaixo. A maior torcida do Brasil urra. Sabe o eco do velho Mário Filho? Eu sei bem. Engulo seco. Faltando poucos minutos pro final do primeiro tempo Maurício, sempre ele, cala o lado mau do estádio. Ufa!
Segundo tempo e o Fla se impõe. 2x1...3x1 fora o baile. O tempo é rubro negro e corre como um ladrão de toca-fita. Parte da minha torcida começa a deixar o jogo. É...não vai ter jei...3x2. Golçalves, o monstruso zagueiro que depois seria nosso, comete a única falha em toda a sua carreira e cabeceia contra sua meta. Puta merda, vai dar!
Subo nas cadeira e grito. Grito a despeito da zoação dos mulambos ao meu redor. Mas o tempo é rubro negro. 2 minutos pro fim. Já era. Mauro Galvão puxa o contra ataque pela esquerda. Avança. Chega lá na ponta, bem a frente da minha cadeira e para. Olha pra mim lá do campo e diz: " Se liga, moleque". E cruza. Vitor domina no peito e, com um corte seco, deixa Jorginho no chão. Solta a bomba e já era! 3x3 e fim de jogo. O mais gostoso dos empates e eu consumido pelo amor ao Fogão.
Hoje perdemos 10 garotos que não serão foco dos xingamentos do meu filho. 10 garotos que não farão urrar o Maracanã. 10 garotos que não farão novos vascaínos, tricolores ou alvinegros. Sem rival não há desporto e nem torcida. Sem rival nem a bola é necessária.
Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo.
- Pedro Neiva de Mello
sábado, 9 de fevereiro de 2019
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