MIRACEMA, MINHA TERRA MÃE!
Dos termos indígenas tupi-guarani – ybira (pau, madeira) e cema (brotar) – trocando-se apenas “yb” por “m”, ficando assim Miracema – pau que brota, gente que nasce.
Brado ao mundo inteiro o orgulho de aqui ter nascido. Ah, minha querida Princesinha! São 87 anos que você foi emancipada, mas sua história já está próxima de completar 200 anos. Você é pequena em seu tamanho territorial, mas de um coração enorme que recebe e abraça seus filhos adotivos como se fossem nativos.
Poucas cidades por esse Brasil afora tiveram uma luta tão árdua e duradoura para conseguir sua emancipação político-administrativa. Em 1906, foi um jovem, de apenas 16 anos – Melchíades Cardoso – que lançou a semente da separação, inconformado com os mandos e desmandos daqueles que geriam a terra, fundou um jornal denominado O Grupo, com o objetivo de esclarecer a população para que essa tivesse condição de se posicionar. Foi através desse jornal que o desejo da emancipação deixou de ser apenas uma vontade.
Nunca é demais lembrar esses miracemenses que, com muita bravura e determinação, idas e vindas correndo atrás de um objetivo que parecia cada vez mais distante, não fraquejavam após as quedas e mais fortes ficavam para a próxima batalha tão sonhada de ver Miracema livre e independente. A persistência foi fator fundamental para conseguir a almejada emancipação. Muitos foram os interesses políticos e o jogo de poder que dificultaram a caminhada da Campanha Separatista.
Esses homens arrojados escreveram seus nomes na história e cada um teve a sua importância na vitória final: Antônio Ventura Coimbra Lopes – o general da luta separatista – Alberto Lontra, Antônio Carlos Moreira, Américo Homem, Armando Monteiro Ribeiro Da Silva, Artur Monteiro Ribeiro Da Silva, Bruno De Martino, Dirceu Cardoso, Edgar Moreira, Flávio Condé, Gilberto Barroso De Carvalho, Hipólito Gouvêa Souto, José Carlos Moreira, José Giudice, José Naegele, José Thomaz de Aquino, Melchiades Cardoso, Octávio Tostes, Oscar Barroso Soares, Theóphilo Junqueira, Virgílio Damasceno, Waldemar Torres... e até mesmo Altivo Linhares, que foi contra a emancipação até ser convencido pela maioria, mas que trouxe, no entanto, muitos benefícios ao município que até hoje são usufruídos pela comunidade.
Com a emancipação política foi eleita sua primeira Câmara Legislativa, ficando assim constituída: Dr. Otávio Tostes, Antônio Ventura Lopes, Dr. Antônio Antunes Siqueira, Bruno de Martino, Bento da Fábrica, Melchiades Cardoso, Nicolau Bruno, Humberto de Martino e Canedo.
O prefeito foi Marcelino Barros Tostes, que tomou posse em 03 de agosto de 1936. Mário Pinheiro Motta foi nomeado prefeito na emancipação e ficou no cargo de 04 de maio a 02 de agosto de 1936.
Antes de abrigar a prefeitura, a câmara e os cartórios, foi a primeira sede do Grupo Escolar Ferreira da Luz, inaugurada em 1917. Uma forte enchente, ocorrida em 16 de novembro de 1940, derrubou parte do prédio. Nesse local, posteriormente foi construído o edifício Deodato Linhares, na esquina da Leader. A partir desse fato, o prefeito Altivo Linhares deu início à construção de uma nova sede, ao lado da igreja matriz, que foi inaugurada em janeiro de 1944.
Particularmente gostaria de fazer um adendo especial ao Jofre Geraldo Salim, um dos maiores oradores que essa terra já produziu. Uma memória fantástica e que bradava com muito orgulho e emoção, com detalhes minuciosos, a causa separatista, pois era um profundo conhecedor da nossa história emancipacionista. Deixou uma lacuna difícil de ser preenchida e ficamos órfãos de um intelectual do mais alto nível. Parodiando sua frase: “Precisamos manter viva a história de nossos conterrâneos ilustres”. E o cidadão Jofre Geraldo Salim, certamente é um deles!
Uma cidade que não preserva a sua história acaba perdendo sua identidade. Preservá-la, é resgatar nomes, perpetuar valores, é permitir que as novas gerações não vivam sob as trevas do anonimato. É importante entender que quando se homenageia pessoa já falecida, busca-se enaltecer o legado que o homenageado deixou para que sirva de exemplo às novas gerações. Quando é possível fazer em vida, naturalmente é muito mais representativa. Um povo que não guarda suas histórias, suas memórias, seu patrimônio, não sabe quem realmente é.
“Não há povo sem tradição. Pode o progresso modificá-la e adaptá-la às novas realidades da vida, mas não deve suprimi-la sob pena de pôr em risco os liames secretos que ligam as gerações umas às outras.”
(Austregésilo de Athayde)
Nota: faço mais uma menção especial aos nomes de Roberto Monteiro R. Coimbra Lopes (uma mente brilhante e grande estudioso da nossa história) e Marcelo Salim de Martino. Esse último, curador do Centro Cultural Melchíades Cardoso e merecedor de nosso reconhecimento por tanta dedicação e cuidado com o Patrimônio Público, assim como os demais funcionários.
Fonte: Tadeu Miracema

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