Viva Benedita da Silva: um legado que não se encerra nas urnas
Benedita, minha amada, eu vejo em você uma mulher grandiosa, que dedicou mais de quatro décadas de sua vida pública à luta por um Brasil mais justo, inclusivo e soberano para todos.
Não foi o resultado que gostaríamos. Eu sonhei que teríamos, mais uma vez, a sua força ocupando uma cadeira no Senado Federal. Um espaço que, ao longo de sua história, teve pouquíssimas mulheres e que só muito recentemente passou a contar com estruturas básicas para a presença feminina. Sua trajetória, por si só, ajudou a transformar esse cenário.
Mas, Bené, guerreira, quando olho para você, não me permito enxergar derrota.
Vejo a mulher que esteve entre as protagonistas de importantes conquistas sociais. Vejo a parlamentar que participou da construção de direitos para trabalhadoras domésticas, da defesa das políticas de cotas e da ampliação do acesso das camadas populares ao ensino superior. Vejo a mulher que esteve presente na mobilização conhecida como Lobby do Batom, que contribuiu para a inclusão de importantes direitos das mulheres na Constituição de 1988.
Vejo também a primeira e, até hoje, única mulher a governar o Estado do Rio de Janeiro. Uma trajetória marcada por desafios, enfrentamentos e pela representação de milhões de brasileiros e brasileiras que tantas vezes não tiveram voz nos espaços de poder.
Por isso, essa história não pode ser resumida a um resultado eleitoral.
Benedita da Silva não é apenas uma candidatura. É uma história de vida, de resistência, de participação política e de luta por direitos. É um legado que inspira novas gerações e nos lembra que a transformação da sociedade também começa quando alguém acredita que é possível mudar a realidade.
Como você mesma disse, é preciso fazer com que os jovens continuem acreditando que podem transformar o mundo. E esse talvez seja um dos maiores legados de uma trajetória como a sua: mostrar, pelo exemplo, que lugares antes considerados impossíveis também podem ser ocupados por mulheres negras, trabalhadoras e oriundas das periferias.
Eu te reverencio e te saúdo com todo o respeito, esperança e coragem que essa caminhada exige.
Não temos que esmorecer. A história continua, o legado permanece e novas gerações seguirão levando adiante as bandeiras pelas quais você lutou durante tantos anos.
VIVA BENEDITA DA SILVA!
Viva a luta e o legado das mulheres negras brasileiras!
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