Cantora Alessandra Luna faz desabafo nas redes sociais
Na noite desse sábado (06), a cantora Alessandra Luna, de Cabo Frio, fez um desabafo numa de suas redes sociais, a estrela escreveu uma carta aos contratantes de música ao vivo e movimentou a web. A moça recebeu muito apoio dos fãs.
A carta diz o seguinte:
CARTA AOS CONTRATANTES DE MÚSICA AO VIVO.
Quando eu fecho um show para cantar, imagino logo a roupa que vou usar e quando eu vou na loja comprar essa roupa, eu pago pelo preço que me cobram.
Meus brincos, colares, anéis, pulseiras e demais acessórios que compõem o look da cantora para ela cantar bem apresentável, também custou dinheiro na loja.
A maquiagem que comprei, não teve desconto. E só nós mulheres sabemos que quanto mais qualidade uma maquiagem tem, mais cara ela é.
Quando fui na manicure fazer pé e mão e não gastei menos de R$ 50,00 (quando a unha é simples, porque quando vira acrigel ou fibra o preço no mínimo triplica).
Quando fui até o local do show eu tive que pagar no minimo R$ 10,00 na corrida do táxi ou praticamente ser assaltada no posto de gasolina, não me deram nenhum desconto para isso.
A foto que tirei para postar na internet e divulgar o show custou no mínimo R$ 500,00 o ensaio para eu oferecer um material profissional e de qualidade para divulgação. Maquiagem das fotos: R$ 100,00 (por baixo). Cabelo: R$ 150,00.
O celular que comprei para fazer estories e postar vídeos cantando com uma boa qualidade de áudio e assim alimentar minhas redes sociais a fim de me engajar como artista, não custa menos de R$ 1.500,00.
O vídeo que postei cantando no meu canal do Youtube e paguei para gravar R$ 300,00 em um estúdio profissional, foi pago com sucesso e com o suor do meu trabalho.
Uma aparelhagem de som para um músico se apresentar (incluindo equipamentos tipo mesa, caixas, fones, cabos etc, instrumentos, jogos de luz etc etc, não saem por menos de R$ 15.000,00 só para começar a trabalhar. Fora a manutenção que o profissional cobra caso dê algum problema, que não sai por menos de R$ 100,00 o reparo mais simples que for).
A consulta com a fonoaudióloga que tenho que ir no mínimo de 15 em 15 dias para cuidar da minha voz (assim como um jogador profissional de futebol precisa estar em contato direto com seu fisioterapeuta para evitar as lesões em seu "instrumento de trabalho") custam R$ 120,00 por sessão. Fora as aulas de canto que preciso pagar no mínimo R$ 50,00 a hora aula, para aprender técnicas, estudar e melhorar cada vez mais o produto que apresento em seu estabelecimento.
A academia que pago para manter a forma, uma boa aparência, trabalhar minha respiração e disposição física para cantar em pé por no mínimo duas horas seguidas, me custa no mínimo R$ 100,00 por mês.
Os remédios na farmácia que tenho que comprar quando fico gripada ou minha garganta inflama quando tenho que cantar exposta ao vento, sereno e friagem, não me vem com desconto só por eu ser cantora.
A hora estúdio que preciso pagar para reunir uma banda e ensaiar, também não é de graça e nem com desconto.
Fora que a Enel não me dá desconto na minha conta de luz, a água continua tendo que ser paga, internet, plano de celular, moradia, etc etc etc e variadas contas de consumo básicas que todos nós cidadãos já temos que pagar.
Quando vou ao mercado fazer minhas compras e da minha família a funcionária do caixa não me dá desconto quando questiono que está caro.
Meus queridos contratantes, com todo respeito e compreensão aos seus gastos e a todo o resultado do período que estamos vivendo, o que quero dizer com isso é que eu tenho despesas para investir no produto final que tanto agrada seus clientes ao curtir minha música ao vivo no seu estabelecimento.
Pago contas, sustento minha família, pago impostos ao Governo como todos vocês também pagam. Preciso do meu descanso e lazer assim como todos vocês também precisam. E nada disso me sai de graça.
Eu também estou lutando para sobreviver a uma crise financeira advinda de uma pandemia. Eu também estou limitada e também estou exposta e na linha de frente ao sair de casa e ter que ir cantar durante esta pandemia, porque esse também é o meu trabalho, assim como o seu e de todos os seus funcionários.
Agora, diante de todas essas disposições, você acha justo reduzir o meu cachê pela metade, alegando as despesas da pandemia?
Você acha mesmo justo o cachê do músico ser reduzido pela metade só porque você está vivendo a pandemia e precisa reduzir seus gastos, enquanto você continua cobrando uma longneck que não lhe sai por menos de R$ 3,50 e você vende a aproximadamente R$ 12,00 (só para começar) no seu estabelecimento, por exemplo?
Na sua contenção de despesas o músico é primeiro a ser desvalorizado e quando um cliente seu reclama do valor absurdo de uma conta, você vai lá e a primeira coisa que você tira é o couvert artístico, ao invés de dar um desconto no valor cobrado em seu cardápio?
Cada dia que passa está mais difícil lidar com a falta de compreensão humana. Eu pensei que essa pandemia ia servir para unir as pessoas, mas vejo cada vez mais a individualidade imperar.
É como diz aquele ditado: "Farinha pouca, meu pirão primeiro".
Boa sorte a todos os meus colegas músicos.

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