segunda-feira, 30 de março de 2026

Não existe outro nome

 Não existe outro nome

Desde pequeno, sempre o vi como um grande nome para o povo brasileiro — talvez um dos maiores, senão o maior líder da América Latina. Décadas se passaram e essa percepção permanece praticamente intacta em torno de Luiz Inácio Lula da Silva.

Passaram-se 37 anos desde a eleição presidencial de 1989 e 24 anos desde a vitória histórica de 2002. Ainda assim, não há sinal claro de uma nova liderança capaz de ocupar o mesmo espaço político e popular na esquerda brasileira. Não surgiu, até agora, alguém com a mesma força, e talvez nem surja.

Nos últimos 15 anos, alguns nomes chegaram a ser apontados como possíveis herdeiros políticos. Mas todos, de alguma forma, acabaram engolidos pelas circunstâncias da política nacional: Marcelo Freixo, Guilherme Boulos e Flávio Dino. Hoje ainda se menciona João Campos como uma liderança promissora. A pergunta, porém, permanece: por quanto tempo?

A estiagem virou seca. A democracia brasileira, ao menos no campo da esquerda, parece depender de um octogenário — sem qualquer traço de etarismo nessa constatação — e, ao que tudo indica, apenas dele para os próximos anos. E não há sinais claros de que deixará um sucessor ou sucessora consolidado.

Alguns poderiam perguntar: e o filho de Lula? O biólogo Fábio Luís Lula da Silva nunca demonstrou interesse em disputar eleições. Sua trajetória esteve mais ligada ao setor empresarial. Mesmo que o sigilo fiscal não tenha apontado irregularidades, seu nome acabou associado a círculos empresariais e a relações com lobistas, o que alimentou críticas e polêmicas ao longo do tempo.

Dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, o histórico também revela uma curiosa ausência de disputas internas pela liderança presidencial. O único nome que ousou disputar prévias contra Lula foi o de Eduardo Suplicy, em 2002. De 1986 para cá, praticamente nenhuma outra figura tentou ocupar esse espaço.

Isso revela um fenômeno político peculiar: uma estrutura partidária que, após décadas de atuação sindical e institucional, naturalizou a existência de apenas um grande presidenciável durante mais de quatro décadas. Se algum dia o partido vier a falar seriamente em renovação, talvez precise começar renovando suas próprias direções.

Mas é preciso deixar algo claro: Lula é uma má escolha? Não. Muito pelo contrário. Seu compromisso com a democracia e sua sensibilidade às demandas dos mais pobres explicam a força que ainda possui junto a amplos setores da sociedade.

O problema é outro — e talvez mais profundo. Lula é, hoje, o único nome.

E quando ele não estiver mais no cenário político, a esquerda brasileira poderá enfrentar um hiato difícil de preencher. Um vazio de liderança que não se resolve da noite para o dia.

O mais curioso é que esse problema parece ainda não ter sido plenamente percebido. Ou, se foi, poucos estão dispostos a enfrentá-lo.



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