Poesia para Manoel Carlos
Maneco,
teu nome ainda acende a luz da sala,
silencia a casa
e faz o Brasil sentar no sofá da alma.
Escreveste o amor sem maquiagem,
com dor que sangra,
com beijo que salva,
com silêncio que diz mais do que grito.
Foste pai de Helenas —
mulheres inteiras, falhas, imensas,
espelhos de quem ama demais
e aprende vivendo.
Criaste vilãs que nos ensinaram
que o mal também tem rosto bonito
e filhas que carregavam o peso do mundo
no colo frágil da juventude.
No Leblon, fizeste um país caber
numa esquina,
num café,
num olhar pela janela.
Poeta do cotidiano,
cronista do coração humano,
tua palavra caminhava descalça,
mas deixava pegadas eternas.
Hoje, o roteiro da vida escreve “fim”,
mas tua obra recusa o encerramento.
Porque quem transforma sentimento em história
nunca sai de cena.
Descansa, Maneco.
Nós ficamos aqui,
revendo capítulos,
honrando cada frase,
amando para sempre
o teu legado.
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